Fibromialgia: o desafio diário de viver com dor
Problema físico acomete cerca de 4% da população brasileira
Quando a dor se torna uma companhia inseparável, cada dia é encarado como um grande desafio. Tarefas corriqueiras da vida se transformam em suplício. Caminhar dói, sentar dói, deitar também. Por vezes, até respirar é um sofrimento.
Em momentos de crise, um simples abraço ou toque, por mais delicados que sejam, são torturantes. Quem convive com a fibromialgia conhece bem a anatomia humana e tem uma indesejada intimidade com sensações tão doloridas que sequer são imagináveis por aqueles que não são reféns do problema.
O sofrimento dos fibromiálgicos, porém, vai além do que é sentido no corpo. A doença era vista como um distúrbio psíquico e confundida com a depressão até bem pouco tempo atrás. Para os olhos alheios, a dor era fruto da imaginação ou do exagero. Hoje, a causa da fibromialgia ainda é um mistério, mas estudos comprovam que o mal é realmente físico e acomete cerca de 4% da população brasileira.
A fibromialgia é caracterizada por dor muscular e esquelética crônica e difusa, fadiga e comprometimento do sono. No entanto, geralmente traz consigo uma série de transtornos, como rigidez nos músculos, enxaqueca, confusão mental, déficit de memória, palpitação, tontura, depressão e muitos outros.
O diagnóstico nem sempre é imediato. É preciso descartar outras patologias que também causam dores difusas. De acordo com o reumatologista Rodrigo Aires Correa Lima, eventos físicos e emocionais estressantes ou traumáticos são capazes de desencadear a doença, mas ainda não se sabe se ela pode surpreender qualquer um ou se ocorre apenas em pessoas predispostas ao mal.
O médico lembra que, em homens e mulheres saudáveis, a dor é um alerta, um sinal de que algo está errado no organismo. Para quem tem fibromialgia, contudo, a dor por si só é a doença.
– Os sintomas nem sempre são compreendidos por médicos que conhecem pouco a síndrome. A fibromialgia não causa deformidades físicas, e os pacientes têm o aspecto saudável. Atendo casos de fibromiálgicos que sofreram por quase uma década antes de conseguirem tratamento adequado. Para confirmar o diagnóstico, nos baseamos no histórico do paciente e da dor, que deve ser generalizada, atingir pelo menos 11 pontos específicos do corpo e durar mais de três meses sem motivo aparente – explica o especialista.
Saiba mais sobre a fibromialgia
::: A doença acomete cerca de 4% da população brasileira. Em idosos com mais de 65 anos, a prevalência é de 7,5%. As mulheres são as mais atingidas.
::: Os pacientes acometidos pela fibromialgia têm uma percepção extrema dos estímulos dolorosos. A doença é realmente incapacitante.
::: Pesquisas comprovam que, ao mesmo tempo em que são hipersensíveis à dor, os fibromiálgicos também não conseguem ativar substâncias que aliviariam essa sensação. Por isso, estímulos suportáveis e contornáveis para aqueles que não sofrem da síndrome são extremamente penosos para quem tem a doença.
::: É importante entender e desmistificar a doença. A fibromialgia não tem cura, mas a dor pode ser controlada com medicamentos e tratamentos não farmacológicos. Embora limitante, ela não é maligna.
::: Remédios adequados, controle dos fatores estressores, exercícios e terapias complementares podem proporcionar qualidade de vida.
Fonte: Ana Paola Gadelha, fisiatra e presidente regional da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Fibromialgia - Diagnóstico
Fibromialgia - Diagnóstico
Para a pesquisa dos pontos padronizados deve-se manter o paciente sentado sobre a mesa de exame, questionando-o sobre a sensação dolorosa, após a pesquisa de cada ponto padronizado, um a um, bilateralmente em cada região anatômica, no sentido crânio-caudal (WOLFE et al., 1990).
Recomenda-se o uso comparativo de pontos, ditos controles, como o leito ungueal do polegar, ponto médio na face dorsal do antebraço, fronte, terço médio do terceiro metatarso, que, supostamente, correspondem a locais menos dolorosos que os pontos padronizados.
O uso de dolorímetro ou algômetro, dispositivo que determina a intensidade de pressão por área (MC CARTHY, GATTER, STEELE, 1968), fornece dados mais objetivos, importantes em estudos controlados. Na rotina clínica, a pesquisa dos pontos dolorosos por meio de digitopressão é comparável à avaliação feita com o dolorímetro em termos da positividade dos pontos (RASMUSSEN, SMIDTH, HANSEN, 1990, SMYTHE et al., 1992; SMYTHE, BUSKILA, GLADMAN, 1993), no entanto não fornece dados quanto ao limiar de pressão a partir do qual um ponto pode ser considerado positivo.
Na fibromialgia o limiar doloroso médio dos pontos padronizados, assim como dos pontos controle é mais baixo que em outras doenças reumáticas (WOLFE et al., 1990; Buskila et al., 1993).
A presença de 11 dos 18 pontos padronizados tem valor para fins de classificação, entretanto, de acordo com SMYTHE, BUSKILA, GLADMAN, 1991, em casos individuais, pacientes com menos de 11 pontos dolorosos poderiam ser considerados fibromiálgicos desde que outros sintomas e sinais sugestivos estivessem presentes.
Outros achados do exame físico incluem o espasmo muscular localizado, referidos como nódulos, a sensibilidade cutânea ao pregueamento (alodínia) ou dermografismo, após compressão local. A sensibilidade ao frio também pode estar presente e manifestar-se como "cutis marmorata" em especial nos membros inferiores (WOLFE et al., 1990).
Os exames laboratoriais e o estudo radiológico são normais e, mesmo quando alterados, não excluem o diagnóstico de fibromialgia, uma vez que esta pode ocorrer em associação a artropatias inflamatórias, a síndromes cervicais ou lombares, a colagenoses sistêmicas, à síndrome de Lyme e a tireoidopatias (WOLFE et al., 1990). Cerca de 10% dos pacientes apresentam positividade do FAN em baixos títulos (Goldenberg, 1989).
A dor causada pela fibromialgia não está apenas na cabeça dos pacientes
Fonte: Arthritis & Rheumatism, 06/06/02
Um novo estudo confirma cientificamente que pessoas com fibromialgia realmente sentem dor intensa. Os sinais de dor em seus cérebros foram medidos a partir de uma leve pressão de um dedo que seria apenas desagradável em pessoas que não têm a doença. A força da pressão deve ser dobrada para que pessoas saudáveis sintam o mesmo nível da dor - e esses sinais de dor aparecem em diferentes áreas do cérebro.
Os resultados, publicados na edição de junho da Arthritis & Rheumatism, podem oferecer o indício das origens físicas da fibromialgia que muitos médicos têm procurado. Isso também pode abrir as portas para uma pesquisa futura sobre as causas ainda desconhecidas da doença, que afeta mais de 2% dos americanos, principalmente as mulheres.
Para correlacionar a sensação de dor subjetiva dos sinais cerebrais, os pesquisadores utilizaram uma forma super-rápida de visualização cerebral MRI, chamada MRI ou fMRI funcional, em 16 pacientes com fibromialgia e 16 indivíduos sem a doença. Como resultado, o estudo oferece o primeiro método objetivo para confirmar o que os pacientes com fibromialgia relatam sentir, e o que acontece em seus cérebros no preciso momento no qual eles a sentem, dando aos pesquisadores um mapa das áreas do cérebro que são mais - ou menos - ativas quando os pacientes sentem a dor.
A fibromialgia é uma doença crônica, diagnosticável e específica, caracterizada por sensibilidade e rigidez por todo o corpo, assim como fadiga, dores de cabeça, problemas gastrointestinais e depressão. Muitos pacientes com a doença dizem que ela interfere no trabalho, na família e na vida pessoal. Estatísticas mostram que as mulheres são mais afetadas, e que isto ocorre geralmente durante os períodos de gravidez.
No estudo, os pacientes com fibromialgia e os indivíduos saudáveis do grupo de controle tiveram seus cérebros escaneados por mais de 10 minutos, enquanto um pequeno dispositivo controlado por pistão aplicava uma pressão pulsante na base de suas unhas do polegar esquerdo. As pressões variaram conforme o tempo, utilizando níveis dolorosos e não-dolorosos que foram ajustados para cada paciente antes do escaner.
Os pesquisadores descobriram que foi necessária apenas uma leve pressão para que os pacientes com fibromialgia produzissem as dores relatadas, enquanto que os indivíduos do grupo de controle toleraram a mesma pressão com pouca dor.
"A mesma pressão suave também produziu respostas cerebrais mensuráveis nas áreas que processam a sensação de dor nos pacientes", disse o Dr. Daniel Clauw, um dos principais autores do estudo. "Contudo, os mesmos tipo de respostas cerebrais não foram vistos nos indivíduos do controle até que a pressão em seu polegar fosse mais do que dobrada".
Os pacientes que sentem dor com a leve pressão tiveram uma maior atividade em 12 áreas do cérebro, enquanto os indivíduos do controle que sentem a mesma pressão tiveram ativação em apenas duas áreas. Essa resposta sugere que os pacientes tiveram uma resposta maior à dor em algumas regiões do cérebro, e uma menor resposta em outras, disse o Dr. Clauws.
Retirado de: http://www.emedix.com.br
A Copyright deste artigo pertence a http://www.emedix.com.br e a Arthritis & Rheumatism
O FibroSite agradece a possibilidade o reproduzir neste site.
Um novo estudo confirma cientificamente que pessoas com fibromialgia realmente sentem dor intensa. Os sinais de dor em seus cérebros foram medidos a partir de uma leve pressão de um dedo que seria apenas desagradável em pessoas que não têm a doença. A força da pressão deve ser dobrada para que pessoas saudáveis sintam o mesmo nível da dor - e esses sinais de dor aparecem em diferentes áreas do cérebro.
Os resultados, publicados na edição de junho da Arthritis & Rheumatism, podem oferecer o indício das origens físicas da fibromialgia que muitos médicos têm procurado. Isso também pode abrir as portas para uma pesquisa futura sobre as causas ainda desconhecidas da doença, que afeta mais de 2% dos americanos, principalmente as mulheres.
Para correlacionar a sensação de dor subjetiva dos sinais cerebrais, os pesquisadores utilizaram uma forma super-rápida de visualização cerebral MRI, chamada MRI ou fMRI funcional, em 16 pacientes com fibromialgia e 16 indivíduos sem a doença. Como resultado, o estudo oferece o primeiro método objetivo para confirmar o que os pacientes com fibromialgia relatam sentir, e o que acontece em seus cérebros no preciso momento no qual eles a sentem, dando aos pesquisadores um mapa das áreas do cérebro que são mais - ou menos - ativas quando os pacientes sentem a dor.
A fibromialgia é uma doença crônica, diagnosticável e específica, caracterizada por sensibilidade e rigidez por todo o corpo, assim como fadiga, dores de cabeça, problemas gastrointestinais e depressão. Muitos pacientes com a doença dizem que ela interfere no trabalho, na família e na vida pessoal. Estatísticas mostram que as mulheres são mais afetadas, e que isto ocorre geralmente durante os períodos de gravidez.
No estudo, os pacientes com fibromialgia e os indivíduos saudáveis do grupo de controle tiveram seus cérebros escaneados por mais de 10 minutos, enquanto um pequeno dispositivo controlado por pistão aplicava uma pressão pulsante na base de suas unhas do polegar esquerdo. As pressões variaram conforme o tempo, utilizando níveis dolorosos e não-dolorosos que foram ajustados para cada paciente antes do escaner.
Os pesquisadores descobriram que foi necessária apenas uma leve pressão para que os pacientes com fibromialgia produzissem as dores relatadas, enquanto que os indivíduos do grupo de controle toleraram a mesma pressão com pouca dor.
"A mesma pressão suave também produziu respostas cerebrais mensuráveis nas áreas que processam a sensação de dor nos pacientes", disse o Dr. Daniel Clauw, um dos principais autores do estudo. "Contudo, os mesmos tipo de respostas cerebrais não foram vistos nos indivíduos do controle até que a pressão em seu polegar fosse mais do que dobrada".
Os pacientes que sentem dor com a leve pressão tiveram uma maior atividade em 12 áreas do cérebro, enquanto os indivíduos do controle que sentem a mesma pressão tiveram ativação em apenas duas áreas. Essa resposta sugere que os pacientes tiveram uma resposta maior à dor em algumas regiões do cérebro, e uma menor resposta em outras, disse o Dr. Clauws.
Retirado de: http://www.emedix.com.br
A Copyright deste artigo pertence a http://www.emedix.com.br e a Arthritis & Rheumatism
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Fibromialgia em Pacientes
Fibromialgia em Pacientes
Os mais comuns e característicos sintomas da fibromialgia são dor, fadiga e distúrbio do sono.
A dor é o principal fator que leva o paciente a procurar cuidados médicos. As queixas dos pacientes em relação aos sintomas dolorosos são expressas com palavras do tipo: pontada, queimação, sensação de peso, entre outras.
O paciente apresenta dificuldade na localização precisa do processo doloroso. Alguns têm a impressão de que ela ocorre nos músculos, outros nas articulações, enquanto uma parte relata que a dor se localiza nos ossos ou "nervos".
Uma grande parte destes pacientes se queixa de dor difusa, referindo-se à dor com expressões do tipo: "dói o corpo todo" ou "dói tudo, doutor", quando interrogados sobre a sua localização.
Tem se demonstrado, por meio de diversos estudos, a diminuição da produtividade e da qualidade de vida na fibromialgia. Isso justifica o crescente interesse da classe médica no estudo dessa entidade clínica.
Fibromialgia Juvenil
Fibromialgia Juvenil
Introdução
O reconhecimento das doenças que se manifestam com dor na infância é importante no sentido de se tentar melhorar o desempenho e a qualidade de vida da criança. Dentre essas condições dolorosas destaca-se a fibromialgia que manifesta-se com dor musculoesquelética difusa crônica sem acometimento inflamatório ou envolvimento articular. Na infância a fibromialgia tem sido descrita desde 1985 por Yunus & Masi, sendo que, desde então, diversos autores têm se interessado pelo tema.
Qual a Prevalência da Fibromialgia Juvenil?
As manifestações da fibromialgia tendem a ter início na vida adulta, no entanto 25% dos pacientes referem apresentar sintomas dolorosos desde a infância.
De fato, as queixas musculoesqueléticas são muito comuns na infância e adolescência. Em escolares a prevalência de dores musculoesqueléticas é de 1,2 a 7%, com idade média de 10 anos. Esse diagnóstico torna-se progressivamente mais freqüente com o aumento na faixa etária de 8 a 21 anos. A presença de dores em alguma parte do corpo nos últimos três meses ocorre em 70% das crianças, ao menos uma vez por mês, em 32%, ao menos uma vez por semana, sendo mais rara a queixa de dor diária. Um levantamento mexicano observou que 1/3 de crianças pré-escolares apresenta queixas dolorosas musculoesqueléticas e 1,3% destas preenchem critérios para fibromialgia.
Em ambulatórios de Reumatologia Pediátrica a freqüência de dores musculoesqueléticas pode chegar a 55% dos atendimentos. Um estudo realizado por um período de 8 anos, com 81 adolescentes atendidos ambulatorialmente, demonstrou que 50% destes apresentavam dores difusas e 50% dores localizadas. Dos que apresentavam dores difusas, 81% dos casos preenchiam critérios para fibromialgia, sendo que 10% dos pacientes com dores localizadas evoluíram com queixas dolorosas difusas.
Quanto ao sexo, a fibromialgia juvenil é mais freqüente em meninas, em torno de 75% dos casos. Por outro lado, um estudo de 60 atendimentos consecutivos de adolescentes do sexo feminino em um ambulatório de Reumatologia demonstrou que 32% das pacientes preenchiam critérios para fibromialgia.
As manifestações dolorosas crônicas tendem a agrupar-se em famílias ditas “dolorosas”. A presença das queixas dolorosas entre os membros de uma família e ao longo de gerações pode relacionar-se a mecanismos genéticos, ambientais ou comportamentais. Até já foi sugerida uma transmissão genética, no entanto estudos subseqüentes não confirmaram esta hipótese, demonstrando que a freqüência de fibromialgia em filhos de pacientes com fibromialgia é de apenas 28%. Inversamente, estudando crianças com fibromialgia, a probabilidade destas apresentarem mães com o mesmo diagnóstico é de 71%.
Parentes de pacientes com fibromialgia apresentam mais freqüentemente piora da qualidade de vida, grande número de pontos dolorosos e o diagnóstico de fibromialgia está presente em 25% destes. Deve-se considerar ainda que crianças com fibromialgia e seus pais apresentam maior freqüência de fadiga quando comparados a crianças com artrite reumatóide juvenil.
Por que a Fibromialgia Juvenil ocorre?
Apesar de não se saber o que causa a fibromialgia juvenil, diversos fatores estão envolvidos em suas manifestações, fazendo que a criança fique mais sensível frente a processos dolorosos, a esforços repetitivos, à artrite crônica, a situações estressantes como cirurgias ou traumas, processos infecciosos e distúrbios psicológicos Acredita-se que exista uma interação de fatores genéticos, neuroendócrinos, psicológicos e distúrbios do sono predispondo o indivíduo à fibromialgia.
Como se manifesta a Fibromialgia?
O diagnóstico de fibromialgia baseia-se na pesquisa de pontos de dor de acordo com o que é padronizado pelo Colégio Americano de Reumatologia desde 1990. Assim, é necessária a presença de queixas dolorosas musculoesqueléticas difusas, na vigência de 11 dos 18 pontos padronizados, que são pesquisados por meio de digitopressão. Os pontos dolorosos correspondem a inserções de tendões ao osso ou a músculos.
A dificuldade em se avaliar as queixas dolorosas em crianças ocorre devido à certa disparidade entre as queixas da criança e o que é referido pelos pais. Soma-se a isso a credibilidade da informação obtida da criança. Portanto, a pesquisa dos pontos de dor deve ser feita de forma cautelosa e, às vezes, torna-se necessária mais de uma consulta, em intervalos de tempo de uma semana a um mês para a confirmação dos achados. Quanto mais nova a criança, mais difícil se torna firmar o diagnóstico de fibromialgia.
Além disso, comparando-se crianças com fibromialgia e com artrite reumatóide juvenil, as com fibromialgia apresentam maior fadiga, queixas dolorosas mais proeminentes e maior número de pontos dolorosos. Assim como no adulto, na fibromialgia juvenil queixas de sono não restaurador, ansiedade, cefaléia, parestesias e sensação subjetiva de edema de extremidades estão presentes. Nos casos de síndrome da fadiga crônica descritos em crianças, quase 30% dos pacientes preenchem critérios para fibromialgia.
Na fibromialgia primária não foram observadas alterações nas provas laboratoriais, exame radiológico, eletromiográfico ou histopatológico. A polissonografia pode apresentar alterações como a redução da quantidade do sono de ondas lentas ou a intrusão de ondas alfa nesses estágios do sono onde predominam as ondas delta e aumento no número de despertares.
O diagnóstico de fibromialgia não exclui a presença de outras doenças, como a artrite crônica juvenil, hipermobilidade ou a associação com o hipotireoidismo, tendo sido descritos casos em zonas endêmicas para a doença de Lyme, que é causada pela mordedura de carrapatos.
A hipermobilidade e as dores musculoesqueléticas são freqüentes em pré-adolescentes, mas a primeira não parece ser um fator determinante para as manifestações dolorosas. Da mesma forma a associação entre fibromialgia e hipermobilidade é controversa, sendo necessários estudos a longo prazo.
Apesar de estar muitas vezes associada a distúrbios emocionais, a fibromialgia não é uma condição psicogênica. Crianças com fibromialgia orientadas quanto à forma de lidar com a sua sintomatologia não apresentam diferença significante no ajustamento psicológico e relacionamento familiar quando comparadas a outras crianças. Por outro lado, as dificuldades familiares e a vida estressante podem estar presentes na história de crianças com condições dolorosas crônicas sem que uma relação causa-efeito possa ser estabelecida.
Como é o Tratamento da Fibromialgia Juvenil?
Com o objetivo principal de motivar a volta às atividades e a promover a reintegração social, o tratamento da fibromialgia juvenil deve abranger o uso de medicamentos, reabilitação, abordagem psicossocial e orientação dos pais. A participação da criança ou adolescente é importante para o sucesso do tratamento.
Estratégias para lidar com os sintomas dolorosos têm se mostrado eficazes, como a terapia cognitiva , que promove relaxamento muscular, redução da dor, melhora do sono e do humor.
Com base nos estudos sobre fibromialgia no adulto, exercícios aeróbicos de baixo impacto apresentam efeito benéfico, independente das outras modalidades terapêuticas empregadas.
Poucos são os estudos quanto ao uso de medicamentos na fibromialgia juvenil. Foi descrito o uso de ciclobenzaprina, eficaz em 73% dos casos e de amitriptilina, 0.5 mg/kg em casos esporádicos.
O que vai acontecer com crianças que apresentam Fibromialgia Juvenil?
Em adultos as manifestações da fibromialgia se mantêm ao longo dos anos, no entanto, em crianças o futuro parece ser mais favorável. O acompanhamento de 15 crianças em idade escolar durante 30 meses mostrou que 73% melhoraram dos sintomas de dor, mesmo sem o uso de medicamentos. Outro estudo, de 37 crianças com dores musculoesqueléticas durante um período de 9 anos, mostrou que 40% não mais apresentavam as queixas dolorosas após um período médio de 2 anos. Os fatores determinantes para o tipo de evolução que a fibromialgia juvenil irá apresentar são a duração da história de dor, a freqüência de queixas difusas e o ambiente familiar.
A fibromialgia juvenil leva à incapacidade funcional da mesma forma que outras doenças reumatológicas da infância. A limitação causada pela fibromialgia é função do ajuste psicológico e condicionamento físico da criança ou adolescente, bem como da sua capacidade em lidar com os sintomas dolorosos.
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As dores musculoesqueléticas na infância e adolescência constituem uma entidade complexa, com múltiplas etiologias.
Acometem 4,2 a 15,5% das crianças e correspondem a 7% dos casos atendidos no ambulatório de pediatria geral, freqüência esta semelhante à verificada para as dores abdominais recorrentes e cefaléia. Nos serviços de reumatologia pediátrica 26% dos casos atendidos referem dores musculares e articulares indefinidas; o diagnóstico de fibromialgia é possível de ser feito em 55 a 88% das crianças que apresentem dores musculoesqueléticas difusas.
O primeiro estudo controlado prospectivo sobre a fibromialgia juvenil foi realizado em 1985, quando foram acompanhadas 33 crianças por um período de três anos.
A idade de início dos sintomas variou de 5 a 17 anos, com maior freqüência no sexo feminino (84% dos casos), predominando em meninas adolescentes (entre 13 e 15 anos) com manifestações dolorosas, musculoesqueléticas difusas ou localizadas. A duração das queixas foi de 3 a 122 meses, em média de 30 meses, influenciadas por fatores moduladores, com piora das queixas, em especial, com o clima frio, úmido e com a sobrecarga física. Os autores observaram grande freqüência de dores musculoesqueléticas (97%), rigidez muscular (79%), sono não restaurador (100%), fadiga matinal (91%) e ansiedade (70%). Os tender points, ou seja, os pontos dolorosos, foram observados, mais freqüentemente, na região cervical, seguindo-se a interlinha medial dos joelhos e o epicôndilo lateral. Em comparação com a população adulta previamente estudada pelos autores, foram mais comuns nas crianças a presença de sensação subjetiva de edema, dor em tornozelos e piora dos sintomas com esforço físico.
Queixas relacionadas com distúrbios do sono ocorrem em 62 a 75% dos pacientes com fibromialgia, em comparação com 9% dos indivíduos saudáveis e até 38% nos pacientes portadores de artrites crônicas. Na população pediátrica, 67 a 73% das crianças fibromiálgicas referem dormir mal e 100% referem fadiga ao despertar, indicando padrão de sono não restaurador. (Rev. Bras. Reumatol. 1997; 37: 271-273).
Introdução
O reconhecimento das doenças que se manifestam com dor na infância é importante no sentido de se tentar melhorar o desempenho e a qualidade de vida da criança. Dentre essas condições dolorosas destaca-se a fibromialgia que manifesta-se com dor musculoesquelética difusa crônica sem acometimento inflamatório ou envolvimento articular. Na infância a fibromialgia tem sido descrita desde 1985 por Yunus & Masi, sendo que, desde então, diversos autores têm se interessado pelo tema.
Qual a Prevalência da Fibromialgia Juvenil?
As manifestações da fibromialgia tendem a ter início na vida adulta, no entanto 25% dos pacientes referem apresentar sintomas dolorosos desde a infância.
De fato, as queixas musculoesqueléticas são muito comuns na infância e adolescência. Em escolares a prevalência de dores musculoesqueléticas é de 1,2 a 7%, com idade média de 10 anos. Esse diagnóstico torna-se progressivamente mais freqüente com o aumento na faixa etária de 8 a 21 anos. A presença de dores em alguma parte do corpo nos últimos três meses ocorre em 70% das crianças, ao menos uma vez por mês, em 32%, ao menos uma vez por semana, sendo mais rara a queixa de dor diária. Um levantamento mexicano observou que 1/3 de crianças pré-escolares apresenta queixas dolorosas musculoesqueléticas e 1,3% destas preenchem critérios para fibromialgia.
Em ambulatórios de Reumatologia Pediátrica a freqüência de dores musculoesqueléticas pode chegar a 55% dos atendimentos. Um estudo realizado por um período de 8 anos, com 81 adolescentes atendidos ambulatorialmente, demonstrou que 50% destes apresentavam dores difusas e 50% dores localizadas. Dos que apresentavam dores difusas, 81% dos casos preenchiam critérios para fibromialgia, sendo que 10% dos pacientes com dores localizadas evoluíram com queixas dolorosas difusas.
Quanto ao sexo, a fibromialgia juvenil é mais freqüente em meninas, em torno de 75% dos casos. Por outro lado, um estudo de 60 atendimentos consecutivos de adolescentes do sexo feminino em um ambulatório de Reumatologia demonstrou que 32% das pacientes preenchiam critérios para fibromialgia.
As manifestações dolorosas crônicas tendem a agrupar-se em famílias ditas “dolorosas”. A presença das queixas dolorosas entre os membros de uma família e ao longo de gerações pode relacionar-se a mecanismos genéticos, ambientais ou comportamentais. Até já foi sugerida uma transmissão genética, no entanto estudos subseqüentes não confirmaram esta hipótese, demonstrando que a freqüência de fibromialgia em filhos de pacientes com fibromialgia é de apenas 28%. Inversamente, estudando crianças com fibromialgia, a probabilidade destas apresentarem mães com o mesmo diagnóstico é de 71%.
Parentes de pacientes com fibromialgia apresentam mais freqüentemente piora da qualidade de vida, grande número de pontos dolorosos e o diagnóstico de fibromialgia está presente em 25% destes. Deve-se considerar ainda que crianças com fibromialgia e seus pais apresentam maior freqüência de fadiga quando comparados a crianças com artrite reumatóide juvenil.
Por que a Fibromialgia Juvenil ocorre?
Apesar de não se saber o que causa a fibromialgia juvenil, diversos fatores estão envolvidos em suas manifestações, fazendo que a criança fique mais sensível frente a processos dolorosos, a esforços repetitivos, à artrite crônica, a situações estressantes como cirurgias ou traumas, processos infecciosos e distúrbios psicológicos Acredita-se que exista uma interação de fatores genéticos, neuroendócrinos, psicológicos e distúrbios do sono predispondo o indivíduo à fibromialgia.
Como se manifesta a Fibromialgia?
O diagnóstico de fibromialgia baseia-se na pesquisa de pontos de dor de acordo com o que é padronizado pelo Colégio Americano de Reumatologia desde 1990. Assim, é necessária a presença de queixas dolorosas musculoesqueléticas difusas, na vigência de 11 dos 18 pontos padronizados, que são pesquisados por meio de digitopressão. Os pontos dolorosos correspondem a inserções de tendões ao osso ou a músculos.
A dificuldade em se avaliar as queixas dolorosas em crianças ocorre devido à certa disparidade entre as queixas da criança e o que é referido pelos pais. Soma-se a isso a credibilidade da informação obtida da criança. Portanto, a pesquisa dos pontos de dor deve ser feita de forma cautelosa e, às vezes, torna-se necessária mais de uma consulta, em intervalos de tempo de uma semana a um mês para a confirmação dos achados. Quanto mais nova a criança, mais difícil se torna firmar o diagnóstico de fibromialgia.
Além disso, comparando-se crianças com fibromialgia e com artrite reumatóide juvenil, as com fibromialgia apresentam maior fadiga, queixas dolorosas mais proeminentes e maior número de pontos dolorosos. Assim como no adulto, na fibromialgia juvenil queixas de sono não restaurador, ansiedade, cefaléia, parestesias e sensação subjetiva de edema de extremidades estão presentes. Nos casos de síndrome da fadiga crônica descritos em crianças, quase 30% dos pacientes preenchem critérios para fibromialgia.
Na fibromialgia primária não foram observadas alterações nas provas laboratoriais, exame radiológico, eletromiográfico ou histopatológico. A polissonografia pode apresentar alterações como a redução da quantidade do sono de ondas lentas ou a intrusão de ondas alfa nesses estágios do sono onde predominam as ondas delta e aumento no número de despertares.
O diagnóstico de fibromialgia não exclui a presença de outras doenças, como a artrite crônica juvenil, hipermobilidade ou a associação com o hipotireoidismo, tendo sido descritos casos em zonas endêmicas para a doença de Lyme, que é causada pela mordedura de carrapatos.
A hipermobilidade e as dores musculoesqueléticas são freqüentes em pré-adolescentes, mas a primeira não parece ser um fator determinante para as manifestações dolorosas. Da mesma forma a associação entre fibromialgia e hipermobilidade é controversa, sendo necessários estudos a longo prazo.
Apesar de estar muitas vezes associada a distúrbios emocionais, a fibromialgia não é uma condição psicogênica. Crianças com fibromialgia orientadas quanto à forma de lidar com a sua sintomatologia não apresentam diferença significante no ajustamento psicológico e relacionamento familiar quando comparadas a outras crianças. Por outro lado, as dificuldades familiares e a vida estressante podem estar presentes na história de crianças com condições dolorosas crônicas sem que uma relação causa-efeito possa ser estabelecida.
Como é o Tratamento da Fibromialgia Juvenil?
Com o objetivo principal de motivar a volta às atividades e a promover a reintegração social, o tratamento da fibromialgia juvenil deve abranger o uso de medicamentos, reabilitação, abordagem psicossocial e orientação dos pais. A participação da criança ou adolescente é importante para o sucesso do tratamento.
Estratégias para lidar com os sintomas dolorosos têm se mostrado eficazes, como a terapia cognitiva , que promove relaxamento muscular, redução da dor, melhora do sono e do humor.
Com base nos estudos sobre fibromialgia no adulto, exercícios aeróbicos de baixo impacto apresentam efeito benéfico, independente das outras modalidades terapêuticas empregadas.
Poucos são os estudos quanto ao uso de medicamentos na fibromialgia juvenil. Foi descrito o uso de ciclobenzaprina, eficaz em 73% dos casos e de amitriptilina, 0.5 mg/kg em casos esporádicos.
O que vai acontecer com crianças que apresentam Fibromialgia Juvenil?
Em adultos as manifestações da fibromialgia se mantêm ao longo dos anos, no entanto, em crianças o futuro parece ser mais favorável. O acompanhamento de 15 crianças em idade escolar durante 30 meses mostrou que 73% melhoraram dos sintomas de dor, mesmo sem o uso de medicamentos. Outro estudo, de 37 crianças com dores musculoesqueléticas durante um período de 9 anos, mostrou que 40% não mais apresentavam as queixas dolorosas após um período médio de 2 anos. Os fatores determinantes para o tipo de evolução que a fibromialgia juvenil irá apresentar são a duração da história de dor, a freqüência de queixas difusas e o ambiente familiar.
A fibromialgia juvenil leva à incapacidade funcional da mesma forma que outras doenças reumatológicas da infância. A limitação causada pela fibromialgia é função do ajuste psicológico e condicionamento físico da criança ou adolescente, bem como da sua capacidade em lidar com os sintomas dolorosos.
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As dores musculoesqueléticas na infância e adolescência constituem uma entidade complexa, com múltiplas etiologias.
Acometem 4,2 a 15,5% das crianças e correspondem a 7% dos casos atendidos no ambulatório de pediatria geral, freqüência esta semelhante à verificada para as dores abdominais recorrentes e cefaléia. Nos serviços de reumatologia pediátrica 26% dos casos atendidos referem dores musculares e articulares indefinidas; o diagnóstico de fibromialgia é possível de ser feito em 55 a 88% das crianças que apresentem dores musculoesqueléticas difusas.
O primeiro estudo controlado prospectivo sobre a fibromialgia juvenil foi realizado em 1985, quando foram acompanhadas 33 crianças por um período de três anos.
A idade de início dos sintomas variou de 5 a 17 anos, com maior freqüência no sexo feminino (84% dos casos), predominando em meninas adolescentes (entre 13 e 15 anos) com manifestações dolorosas, musculoesqueléticas difusas ou localizadas. A duração das queixas foi de 3 a 122 meses, em média de 30 meses, influenciadas por fatores moduladores, com piora das queixas, em especial, com o clima frio, úmido e com a sobrecarga física. Os autores observaram grande freqüência de dores musculoesqueléticas (97%), rigidez muscular (79%), sono não restaurador (100%), fadiga matinal (91%) e ansiedade (70%). Os tender points, ou seja, os pontos dolorosos, foram observados, mais freqüentemente, na região cervical, seguindo-se a interlinha medial dos joelhos e o epicôndilo lateral. Em comparação com a população adulta previamente estudada pelos autores, foram mais comuns nas crianças a presença de sensação subjetiva de edema, dor em tornozelos e piora dos sintomas com esforço físico.
Queixas relacionadas com distúrbios do sono ocorrem em 62 a 75% dos pacientes com fibromialgia, em comparação com 9% dos indivíduos saudáveis e até 38% nos pacientes portadores de artrites crônicas. Na população pediátrica, 67 a 73% das crianças fibromiálgicas referem dormir mal e 100% referem fadiga ao despertar, indicando padrão de sono não restaurador. (Rev. Bras. Reumatol. 1997; 37: 271-273).
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